Softwares durante a graduação

Introdução

Olá! Hoje, iremos abordar um tema muito importante para os graduandos e graduandas tanto de engenharia como arquitetura. Devemos ou não aprender softwares durante o curso de graduação e qual o nível de aprofundamento desse aprendizado?

É claro que num primeiro momento, nós poderíamos dizer: “É claro que devemos aprender a mexer em programas durante a graduação! ” e com relação à isso, quase não se tem discussão! Devemos sim aprender alguns softwares durante o curso de graduação, isto está mais do que claro! Mas e quanto ao aprofundamento deste ou daquele software? Essa é uma questão que divide algumas pessoas e é sobre essa dúvida que iremos falar um pouquinho hoje!

Aprender ou não aprender?

Certo, vamos ao que interessa! Porque devemos aprender softwares durante a graduação?

Porque se não aprendemos a utilizar os softwares mais correntes ao nosso ambiente de trabalho, softwares que fazem uso do conceito CAD e mais recentemente do conceito BIM, sairemos da faculdade “analfabetos”! É imprescindível que tenhamos uma base de conhecimento. Não precisamos nos tornarmos especialistas no programa X ou no Y. Mas devemos ter sim uma base.

Pense que se já está difícil o mercado com todas as habilidades que talvez possuamos, imagine você não ter noção de programas nenhum!?

É claro que o mercado não colabora! Querem contratar para o cargo de Engenheiro Junior um recém-formado com cinco anos de experiência como engenheiro!! Aí é complicado para qualquer um, mas se você tem ao menos uma noção de algum software que seja, eles ainda irão pedir que você tenha cinco anos de experiência! Contudo, você terá o domínio parcial ou avançado de algum software, e isso te põe na frente nesse quesito.

Vamos ver essa questão de alguns pontos de vista isolados.

Ponto de vista da Engenharia

Posso falar com mais segurança do ponto de vista da engenharia. O software de desenho principal passado é o AutoCAD. Ao menos na minha época de graduando. Hoje em dia tentam passar de uma maneira mais superficial o Revit, que faz uso do conceito BIM. É claro que o conceito BIM em si não é abordado e o programa acaba substituindo o AutoCAD para o auxílio de desenhos. Grande desperdício, mas que com o passar do tempo, isso também mudará, e o conceito BIM passará a se tornar uma realidade no cotidiano de todos os alunos. Assim esperamos!

Passando para softwares mais específicos (e é aí que a coisa fica feia), temos diversas modalidades dentro da civil e a grande maioria possui verificações mais complexas e que se fossem executadas a mão, seriam dispendiosas demais! Imaginem obter a envoltória de uma viga de um prédio de 11 pavimentos que tem em torno de 30 vigas por andar, fazendo uma análise de pórtico espacial com 3 graus de liberdade! Levaria um bom tempo, não? Agora imagine analisar e dimensionar todas as vigas?? Imagine desenhar todas elas? E os pilares, lajes, infraestrutura, escadas? É, então fica claro que o aprendizado do software é necessário!

Especificamente com relação ao nível de aprofundamento dos programas durante a graduação, as grandes preocupações são o “engessamento”, especialmente para a concepção arquitetônica e a possível “alienação” com relação à alguns itens para o engenheiro.

Compre um software de engenharia estrutural ou para projetos elétricos, hidráulicos e afins, e você verá bem claro que no manual, em uma das primeiras folhas, se não a primeira, que a responsabilidade pela elaboração do projeto é do RESPONSÁVEL (engenheiro ou arquiteto) e não do programa, sendo indispensável que o mesmo verifique o todo de um ponto de vista crítico!

Pense naquele aluno nota dez, que decora a prova do semestre anterior e que se o professor mudar uma convecção de sinais ou um coeficiente que seja, ele já se perde totalmente! O que faz jus a frase “Se mudar a cor da grama, o burro morre de fome! “

Pois bem, esse aluno não pode ter um aprendizado mais consistente sobre qualquer programa, pois ele não sabe o básico. Se ele ficar alienado em um programa, e aprender o passo-a-passo básico, simplesmente sistematizado, ele não terá condições de progredir tecnicamente, ele irá virar um programador de software, ou seja, ele irá inserir dados em um programa, mas não irá saber interpretar se os resultados são bons ou se são absurdos! “Um estribo de Ø 12,5 mm para uma viga de uma casinha? Tranquilo! O importante o programa não dar ‘xizinho’ vermelho!”

Essa é a maior preocupação no que diz respeito ao engenheiro que está em fase de graduando, que ele aprenda de forma mecânica a mexer nos softwares específicos e quando se deparar com algo que fuja da sua zona de conforto, ele trave!

Conversando com o Engenheiro Civil Thales de Brito: “É interessante aprender um software junto com a matéria específica para comparação e verificação dos resultados, mas é importante que haja um equilíbrio entre o software e a teoria, para que quando o aluno aprenda o básico do programa mas tem um conhecimento analítico grande, o complexo do ponto de vista do programa se torna simples. “

Ponto de vista da Arquitetura

Acredito que o principal problema no que diz respeito ao estudante de graduação de arquitetura é o cerceamento do potencial criativo. E nesse caso, a pessoa fica limitada à um programa sendo que ele não irá suprir as necessidades da concepção arquitetônica, que por si só é mais livre!

É claro que estamos falando da concepção em si, sendo que o projeto deverá ter todos os seus elementos exequíveis, ou seja, de que adianta um arquiteto pensar em uma laje de oito centímetros, com um balanço de 20 metros sem apoio.

Ele se esbarrará em questões normativas, obviamente além de questões de execução! Então, de nada adianta uma concepção sem pé nem cabeça se aquilo será somente um desenho bonito e que nunca sairá do papel daquele modo!

Conversando com a arquiteta do escritório, Marina Dechichi, a questão da concepção é muito importante: “Quando tratamos da questão de concepção, aí é importante uma liberdade maior. O arquiteto não pode se prender ao software para conceber um projeto, mas o contrário é válido! O projeto/desenho nada mais é do que o resultado dessa concepção, que tende a ser mais livre. Contudo, para projetos mais rotineiros, como os de prefeitura, é indispensável o uso de programas, mas aí, o aprofundamento não é mais tão necessário. Sabendo bem sobre o conceito e a legislação da cidade, com um conhecimento mais basilar já se é possível obter um resultado satisfatório. ”

Agora, a arquitetura tem um ponto um tanto quanto complexo, que é tão importante quanto o que acabamos de falar, que é a venda dos projetos propriamente dita. Em geral, a pessoa que contrata o engenheiro para fazer o estrutural ou o elétrico da sua casa, por exemplo, não está muito interessado em visualizar o 3D. Ele provavelmente quer o projeto conforme o arquitetônico, ou seja, sem quinas nos cômodos, na garagem com a viga até certa altura, o ponto de tomada em determinado ponto e por aí vai.

Mas para o projeto arquitetônico é de suma importância que o cliente consiga visualizar a edificação em 3D. Em conversa com a arquiteta Bruna Hilário, essa situação é demonstrada: “Um projeto de modelagem 3D facilita muito a visualização, mas mais para o cliente! É algo que também facilita para nós, mas não é necessário. Quando falamos de software para a arquitetura, mas especificamente sobre projetos, o domínio de um ou outro programa se justifica na venda dos projetos, como por exemplo algum programa de renderização como do 3DMax ou um Lumion. A concepção é algo que independe de softwares. “

Ponto de vista BIM

E sobre o BIM? Como ele se encaixa nessa situação? Sabemos que sem um bom programa ou programas não se é possível fazer o BIM, propriamente dito. E sabemos também que o BIM não é algo trivial, que meia dúzia de aulas já serão suficientes para a masterização do conceito.

O BIM é algo mais complicado. Ele vai levar alguns anos para que seja implementado nas faculdades de engenharia e arquitetura de maneira sólida e eficiente.

Entretanto, é algo que inevitavelmente vai ser visto por todos os futuros engenheiros e arquitetos que virão e também é algo que deve ser passado durante todo o curso de maneira mais sucinta, mas bem explanada.

Não adianta os professores enfiarem goela abaixo o conceito em BIM quando o aluno estiver cursando TCC! É algo que tem que ser cuidadosamente explanado durante o curso todo. Não necessariamente focando todas as matérias em BIM, pois isso seria errado também, mas incutindo esse conceito devagar durante o curso para que quando o aluno chegasse ao fim do curso ele estivesse apto a projetar algo utilizando o conceito BIM sem muitos problemas a não ser os comuns para quem está fazendo TCC.

Finalizando

Em suma, é extremamente importante que o aluno, seja ele de engenharia ou arquitetura aprenda o software para as determinadas disciplinas passadas, mas que o aprofundamento seja feito em uma fase posterior a graduação, ou seja, na vida profissional, propriamente dita.

O engenheiro que sabe bem mecânica, resistência dos materiais, teoria das estruturas, entre outras, vai conseguir aprender determinado software, tendo suas dificuldades ou não. Mas o mais importante é que ele será capaz de entender e compreender os resultados e a partir daí, tomar as medidas que julgar necessário!

Já para o arquiteto é importante que ele não se prenda ao software para conceber o projeto, para que não fique limitado à ferramenta que está trabalhando, mas que também projete algo exequível para o que ele ou ela tenha projetado saia efetivamente do papel.

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